Amor entre chuvas

Elisa sentiu as lgrimas surgirem de lugar algum. A foto
ainda estava presente na tela do computador. Ela passou
os dedos tentando descobrir quando a partida havia se instalado
e l estava o sorriso inabalvel, o beijo de teso... e o
segredo de duas almas. A foto havia sido tirada por Elisa
um momento antes de se fazer amor e o sorriso era culpa da
provocao de Elisa. Agora, tudo que havia era o sorriso
estampado na tela e a incerteza de se ter uma vida ou uma morte.
O gato pulou na frente da tela do computador e ela o beijou,
tentando afastar os medos. Nenhuma mensagem h muito tempo
e Elisa s sentia o medo da perda iminente e olhando os sorrisos
e os olhos, lembrou-se de estarem em um dia de sol, durante
o perodo de seca, um dia agradvel de vento em que elas tomavam
sol nuas e seguravam a mo uma da outra.
Elisa no se intimidou pela escolha, pelo fato da famlia
ter-lhe virado as costas. Diana a fazia feliz e ela amava
cada pedao do corpo dela. Elisa sentiu o vento e correu
dentro de casa e pegou a mquina. Diana j estava vestida
e elas riam.
- Ah! Tira...
- No! Voc no vai me colocar nua na net!
Ela riu e Elisa tirou a foto de um sorriso largo, sincero,
apaixonante. Ela segurou Diana pelas mos e ambas sentiram
o arrepiar comum do amor delas, as bocas se colaram e elas
comearam a carcia, sem pressa, pelos braos, pelo rosto,
pela alma. Finalmente, elas roaram as costas uma da outra,
com um toque gentil nas costas uma da outra. Elas se conheciam,
sabiam aonde tocar para liberar o prazer por que tanto ansiavam.
Era um toque gentil, escorregadio, danando pelo corpo
uma da outra como uma cobra rastejando no deserto. As bocas
tocando uma a outra em um beijo de amor com a paixo dos amantes.
De repente, as lnguas se entrelaaram como cordas e os
corpos se juntaram at quase se transformarem em uma nica
alma. Os seios tocando-se, as mos explorando cada centmetro
de suspiro e prazer.
Ento, Elisa encarou o rosto afogueado da ruiva Diana de
cabelos curtos e comeou a lamber o corpo enquanto Diana
suspirava e se retorcia, derretendo-se no cho e Elisa
percorreu o corpo da amada com beijos carinhosos nos pequenos
morros saltitantes de Diana, chegando ao ventre e ao chegar
perto da pbis com uma suave lambida, Diana a puxou para
cima.
- No... hoje, quero fazer voc feliz.
Elas se sentaram e Diana beijou Elisa como nunca antes,
sem a pressa, a selvageria de sempre, sem a antiga vontade
de sentir o prazer... Diana conhecia Elisa melhor que ningum
e sabia o que a levava ao melhor dela e ela pediu para que os
movimentos se extinguissem durante o beijo suave na boca,
a lngua roando o canto da boca, beijando a bochecha, chegando
na orelha, em uma leve mordiscada. Depois, ela desceu pelo
pescoo de Elisa, enquanto a mo tocava o meio das pernas
de Elisa, enquanto Elisa escorria amor para Diana.
- No se mexa.
Elisa obedeceu e o corpo de Diana cobriu o dela e os beijos
continuaram e os corpos se colaram at um gozo espiritual
e um grito selvagem saiu de Elisa e ela olhou para o cu, quando
as nuvens se aproximaram e ela pensou com um sorriso: Vai
chover! e elas ficaram deitadas juntas, abraadas, apenas
amando ter uma a outra, sem que mais nada pudesse interferir
e a chuva molhou seus corpos e elas se transformaram na terra
molhada, nas sementes que iam crescer. Primeiro dia de
chuva depois de seis meses de seca e elas no se importavam
com mais nada, apenas com o calor que provinha uma da outra.
Elas adormeceram na chuva de pingos grossos e passageira,
testemunha de um amor to tenro e generoso.
J era noite quando entraram em casa, quando Diana recebeu
o telefonema que a faria desaparecer por tanto tempo...
Elisa era uma artista, brincando com as fotos e a nica foto
que ela no mexera fora a foto de Diana sorrindo antes daquela
chuva de amor. Outra estao de chuva estava acabando e
no havia notcias quando o telefone tocou e fez Elisa sentir-se
eletrizada e a vida saiu e voltou de seu corpo quando ouviu
Al, querida?!
Uma voz cansada e ainda amada.
- Onde voc est?
- Voltando para casa.
O trovo ressoou junto com o corao de Elisa.

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